Enquanto Humberto Gessinger canta "Um dia me disseram..." observo as
casas que todos os dias estão lá, e nunca tinha reparado direito. Cada
esquina cruzada parece um adescoberta nova, Cruzo por pessoas que vez e
outra via na rua. Enfim! Algo em comum! Enfim, trocamos sorriso, e às
vezes até um cortês Bom Dia. Os pensamentos do dia anterior se
impõem, disputando espaço em minha mente com os do dia atual, que querem
fluir. Geralmente, quando isso acontece nenhum deles ganha: uma
terceira rama de pensamentos se faz dessas duas. Boa essa sensação de
não ter que decidir o que pensar ou o que dizer. Quando se conversa
consigo próprio não nos cobramos respostas prontas e imediatas.
Acho que essas coisas devem ser como são as mudanças reais: graduais,
sem aviso, sem marcação, de preparo silencioso: geralmente o resultado
da nossa desatenção a determinada coisa durante muito tempo. Não creio
na solidão dos grupos protestantes, nem que eles tenham poderes reais de
mudança. Geralmente quando se muda alguma coisa, isso já está
acontecendo há muito tempo, a gente só veio a perceber agora, é
diferente. Mas isso é comum entre nós, humanos, termos aquilo que somos
(ou pensamos que somos) como paradigma pra tudo! Ontem fui confundido
com um purista pelo fato de não crer nas mudanças radicais. Cabe aqui
minha defesa: creio nas mudanças porque elas sempre acontecerão (até
gosto do axioma), mas não creio que aconteçam exatamente a maneira que
vemos; são contemporâneas a humanidade, não aos humanos. Não foi D.Pedro
II quem deu a chamada Independencia do nosso país, porque ela já vinha
acontecendo (até os mais desatentos sabiam) nos quatro cantos do Brasil
Imperial. Ele apenas culminou tudo isso, o que evidentemente não tira o
mérito dele (se ele o tiver).
Mudei essa manhã. Saí, ao invés de passar a minha primeira hora da manhã
na Internet. Senti que isso foi mais sadio da minha parte. Mas sei o
quanto de influencia das vozes em coro pode ter essa observação.
Independe do assunto ou da razão, temos certo desespero pelos coros, as
vozes em conjunto. Vozes que às vezes falam por falar, porque escutam
outras vozes falando, que escutaram outras, que repetem outras. Sabe
aquela brincadeira do telefone sem fio? Aquela de se dizer uma coisa a
uma pessoa, e deixar a mensagem ir rolando de uma pessoa pra outra, numa
fila? Juro que, se aqui há de minha parte, é inconsciente! Afinal, como
chega tudo isso pra você? Pra mim? Como chegam os ecos, os coros? Tem
duas escolhas: dar continuidade ou sacar algo e ser mais pessoal, mas
individual. Sempre temos escolha, porque até mesmo não escolher nenhuma, é
uma delas; não dar ouvidos também, assim como repetir com exatidão o
que já ouvimos. Os católicos tem a fé do papa, os budistas a do Buda, os
alunos a dos professores, o fã a do ídolo. Mas qual é a nossa própria? A
minha? A sua? Acreditamos em algo, ou apenas repetimos essa crença
(estranhamente igual para todos)? Tem que dar as mãos, tem que ir todo
mundo junto. Afinal... Afinal... Bom, temos sim, porque... Por que
mesmo? Porque pensamos que temos. Então temos.
Não luto mais por aquilo que não acredito conhecer. Nem sei se lutar é o
termo certo para o que eu faço. O fato de gostar de escrever não me
obriga a escrever; é o contrário, é por gostar de escrever que escrevo,
(não o contrário)! Agora estou gostando de andar, acho que farei o mesmo
amanhã. Que pensamentos me acompanharão? Será que algum fato que me me
ocorrerá hoje? Ou algo que planejo pra amanhã? Ou a mistura dos dois? A
mistura dos dois não tem que ser o meio, nem acredito que seja
possível... A gente sempre pende pra lá ou pra cá, nem que seja por um
momento, por um dia. Nem que seja por uma vida.
"Somos quem podemos ser... Sonhos que podemos ser..." E a faixa acabou.


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